sábado, 27 de novembro de 2010

Mulher: Objeto de cama e mesa I

Esse é o titulo de um livro década de 70, da grande escritora Heloneida Studart que através de pequenos textos e imagens falava sobre a condição da mulher, seu corpo, sua representação, de forma bem chocante. E hoje pensando a representação da mulher na mídia, pensando sobre seu papel na sociedade, na vida publica, vejo o quanto o titulo do livro da Heloneida ainda cai como uma luva: mulher objeto de cama e mesa.

Algumas pessoas dizem que a luta das mulheres é passado, que hoje tudo ja foi conquistado, bom.. Um pouco de conhecimento da realidade nos mostra que estamos muito longe do "tudo". Ainda ganhamos menos que os homens, temos somente 9% de representação na câmara de deputados, nos últimos 3 anos cerca de 40 mil mulheres foram assassinadas no pais. Para nós mulheres, nessa sociedade ainda nos é reservado o lugar de puta ou esposa mãe. Somos vitimas de constante violência, não somente violência física, mas de todo tipo de violência de gênero, passando pela imagem estampada nas revistas, apresentadas nos mais diversos programas.

Desde pequenas somos educadas para ocupar nosso espaço, que é o espaço privado, somos educadas para isso, já bati diversas vezes na tecla de que oferecemos para nossas meninas brinquedos que a condicionem para desempenhar o papel de dona de casa e mãe, desde a mais tenra idade, são fogãozinhos, filhinhos, panelinhas, maquiagem, saltinhos, criamos princesas para viverem esperando o príncipe encantado tomar conta delas, incentivamos e cobramos desde cedo que as meninas arrumem namorados, e estes se tornem maridos o quanto antes, e depois nos surpreendemos porque temos tão poucas mulheres conquistando espaço na vida publica. Ate o inicio dos anos 2000, ainda constava no nosso código civil a expressão "mulher honesta", voltando um pouco ainda tínhamos a declaração de que se um estuprador se casasse com a vitima, ele não seria processado.. Ainda temos juizes que acreditam que mulheres que andavam a noite nas ruas, ou usavam uma saia curta "provocavam" o estuprador, ou que o estupro poderia ser como uma “cortesia” para uma “solteirona”. Essa semana o pai e a mãe de uma menina encontraram ela namorando na praça, o pai espancou a menina de 14 anos, depois foram dormir tranquilamente, e a menina MORREU de madrugada. Cenas como esta...

tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os dois irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem. (Heloneida Studart)

...ainda se repetem no Brasil, tenho certeza que você ja viu alguma historia parecida e isso é inadmissível!

A luta das mulheres esta muito, muito longe de acabar! Ainda somos fortemente representadas na mídia como objeto de cama e mesa e mais triste disso muitas, muitas mulheres acreditam que são meros objetos de cama e mesa, acreditam que esta é a sua opção, sua escolha. Muitas vezes o expor o corpo, vem disfarçado de "liberdade", e na verdade a opção é a falta de real opção. Lembre-se: putas ou esposas-mães.



Propagandas:








Televisão:











Ja conquistaos muito? Sim!!! Graças a luta das mulheres, conquistamos muito, mas ainda temos uma longa estrada! 9% de representação politica passa longe da equiparidade de gênero, 40 mil mulheres assassinadas em 3 anos, passa muito longe da perspectiva da não violencia.


Temos um longo caminho pela frente! Caminho de luta e empoderamento das mulheres!




"Liberdade: ou é para tod@s ou é tudo por nada!"


Referência:


Estupro. Crime ou "Cortesia"? Silvia Pimentel, Ana Lúcia P. Schritzmeyer, Valéria Pandjiarjian, Sergio Antonio Frabris Editor. 1998.

STRECK, L.L. Artigo: O imaginário dos juristas e a violência contra a mulher: da necessidade (urgente) de uma crítica da razão cínica em Terrae Brasilis, ESTUDOS JURÍDICOS, Vol. 37, nº 100, maio/agosto. 2004.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Documentário: IL corpo delle donne

O CORPO DAS MULHERES é o título do nosso documentário de 25 minutos sobre o uso do corpo da mulher na televisão. Partimos de uma urgência.
A constatação que as mulheres, as mulheres reais, estejam desaparecendo da televisão e estejam sendo substituídas por uma representação grotesca, vulgar e humilhante. A perda nos pareceu enorme: o cancelamento da identidade das mulheres está acontecendo sob o olhar de todos, mas sem que haja uma resposta adequada, até mesmo pelas mulheres. A partir daqui, se abriu caminho para a idéia de selecionar as imagens da televisão, que tivessem em comum o uso manipulador do corpo das mulheres, para contar o que está acontecendo não só a quem nunca assiste a televisão, mas especialmente a quem a assiste mas “não vê”. O objetivo é nos perguntar e questionar as razões para esta supressão, um verdadeiro “massacre”, do qual somos todos espectadores silenciosos. Em particular, o trabalho colocou uma ênfase especial sobre o cancelamento dos rostos adultos da TV, o uso da cirurgia estética para apagar qualquer sinal da passagem do tempo e as consequências sociais desta remoção.



Voces podem assistir todo o documentario, com legendas em portugues no link:


http://www.ilcorpodelledonne.net/?page_id=209




As semelhanças com a sociedade brasileira são desesperadoras!




Assistam!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ritos de passagem que me irritam!!!!


Enfim retomando minhas postagens pessoais depois de algum tempo sem aparecer por aqui, minha vida estava uma loucura. Hoje, quero comentar sobre alguns ritos de passagem, ritos/eventos sociais que realmente me irritam e eu não vejo o menor sentido de trazê-los para a minha vida.

Normalmente algumas pessoas me perguntam: Rita, pq vc não casa na Igreja? Com aquela coisa toda de festa, vestido de baiana (ops de noiva), ritualzinho, igreja cheia de gente, boca livre depois. Em primeiro lugar: Pq eu não quero! Não quero, não gosto, não vou fazer isso! Eu particularmente acho um SACO essas cerimônias de casamento tradicionais na igreja. Pra mim aquilo tudo representa uma série de rituais enfadonhos, que das mais diversas formas exaltam a fragilidade, subordinação e stigma de propriedade da mulher. O pai levando a filha ao altar, é claramente uma representação do seu poder, seu papel de dono da filha, que entrega a propriedade para a mão de outro macho, no caso o marido. Eu não vejo necessidade disso e nem concordo.

Acho que casamento é mais organização social, encaro as relações humanas em outro prisma, e isso não passa por esse ritual de casamento. No mais eu acho um desperdício, muitas vezes uma quantidade absurda de dinheiro jogado fora, que o casal poderia investir em estudo, viagens, grande parte dos casais pós festa de casamento estão endividados. Inúmeros casais, não se casam na igreja, pq acreditam naquela ritualística, ou dão qualquer significado, o fazem simplesmente pela aceitação social. Eu fora!

Outra coisa que me revira o estômago: Chá de panela... Ai, os chás de panela. Por favor, não me convidem, pq eu não vou. Tenho pavor dessas festas caracterizadas como "femininas", estas confraternizações que tradicionalmente, socialmente marcam "ritos de passagem" na vida de uma mulher. A mesma lógica destes eventos é usada na mídia utilizando imagens de mulheres para vender produtos de limpeza, panelas e pratos para a cozinha, reforçando a ideia de que mulher é a rainha(escrava) do lar. Porque não propagandas de homens cozinhando, lavando um banheiro? Qual o problema? Chá de panela, chá de bebe, eu não vou, não gosto. Eu mando o presente depois, mas não contém com a minha presença.

Acho que uns 90% destes eventos que acompanhei até hoje são extremamente machistas, partindo de uma premissa de infantilização da mulher e exaltação da sua obrigação procriativa no mundo. Como o Baile tradicional de Debutante, apresentar a filha para a sociedade, em outras palavras o "Pai" mais uma vez mostrando que a garotinha ja esta na "pista pra negócio" e deve ser apresentada para os machos alfa presentes e seus familiares. Por mais que você me diga que essas festinhas de chá de panela e cia são brincadeira entre amigas, é uma brincadeirinha sexista sim, enraizada no patriarcado tão marcante na nossa sociedade, que ridiculariza a mulher, com o aval das mesmas.

PENSA MULHER!!! Não é legal voce sair na rua com um monte de mulher batendo panelas (artigo culturalmente definido como do universo feminino), enrolada em papel higienico, pedindo dinheiro e camisinhas. Isso é RIDICULO!!! Você não precisa disso! E se você precisa... Lamento, é triste.

Eu não gosto disso e não participo. Deixo clara a minha posição. Você pode não perceber, mas a sociedade esta rindo da gente, e com essa sua aceitação do seu papel de mulherzinha-esposinha-frágil-meiga, que só cuida da casinha, do maridinho e do filhinho, e papagaio, você esta contribuindo para que continuamos sendo ridicularizadas, que não tenhamos crédito perante a sociedade! Mulheres também são culpadas pelo fortalecimento das instituições patriarcais e alimentam o machismo. Isso é uma verdade que dói!

domingo, 12 de setembro de 2010

Childfrees são problemáticos?

É incrível a dificuldade das pessoas aceitarem que existem outras que simplesmente não querem ter filhos. Isso é visto como heresia, ou consequência problemas psicológicos, bloqueios de infância, ou algum trauma.

Olha esse caso trazido pelo Clemílson lá na Comunidade, onde ele conta um caso tão comum no cotidiano de um Childfree:

Ontem no ônibus, estava falando com uma garota que quer ter filhos e disse que eu não queria ter. Uma mulher que estava ouvindo a conversa disse que conhecia um cara que também não queria ter filho, e ele tinha problema porque perdeu a mãe suicida aos 9, e eu também tinha algum problema. Contei que sou filho de mãe separada, criado numa casa desequilibrada, com uma avó que jogava na cara que a casa era dela. Ela disse que deve ser esse o problema! Vocês acham q eu tenho problema?

Coitado do cara, a mulher quase o convenceu! Se fosse verdade, como explicar que eu decidi não ter filhos aos 16 anos de idade, sem ter nenhum histórico de problemas familiares ou psicológicos ou traumas desse tipo? Todo mundo tem problemas! E ter filhos pode ser o maior deles, e causa de vários outros problemas encadeados.

E as parideiras que resolvem ter filhos para “dar a ele tudo o que não conseguiu”, “para fazer diferente”? Isso sim seria uma ação motivada por um trauma!

É só um exemplo de como a sociedade é intolerante às diferenças. Quem não segue o senso comum e a ordem padrão das coisas é tido como frustrado, maluco ou tem problemas.

Me dá um orgulho danado ser diferente dessas pessoas! E você, já passou por esse desatino?

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1 Renato 27 junho , 2010 às 18:39

Sou ateu e não quero ter filhos. Imagina a desgraça! Pros outros, é claro. As pessoas insistem em querer seguir um passo a passo na vida. O tal do “nasce, cresce, reproduz e morre” simplesmente não funcionará comigo. Simples assim. Quero dedicar meu tempo de vida à quem me ama e não à um ser que sabe-se lá como vai ser quando crescer. Fora isso, se tudo der certo e ele for muito bem educado, a criança será jogada num mundo sem amor, onde as pessoas não respeitam as outras e querem sempre estar por cima de todo mundo. Comigo não. Comigo não será assim. Pode me chamar do que quiser, mas vou morrer feliz sendo assim.



Link: http://www.semfilhos.org/childfrees-sao-problematicos/

domingo, 25 de julho de 2010

Documentário: Escravas do Sexo - Sex Slaves (2005)


(Canadá, 2005, 56 min.- Direção: Ric Esther Bienstock)
Centenas de milhares de mulheres são tráficadas todos os anos pelo mundo, geralmente, para países desenvolvidos. Conheça o caso das mulheres dos países da antiga União Soviética, que buscando um trabalho para sobreviver, são enganadas e vendidas a cafetões que as prendem em quartos trancados, pondo-as num circulo vicioso de dívida e trabalho sexual escravo. Maus tratos, estupro, assassinatos fazem parte desse negócio internacional bilionário.
(Docverdade)

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