segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Aviso aos navegantes!

Só pra constar que neste blog existem uma série de textos que escrevi e hoje não concordo mais com o que escrevi..kkkkkkkk

Alguns como o da Prostituição eu já reeditei, pois mudei muito minha opinião e coloquei uma notinha no final. Com calma, nas férias pretendo dar uma olhadinha nos outros.

Tah olhando o que? Ué.. A vida passa, a gente muda.. Se encontra , se perde, reencontra, se reescreve. ;)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Eu, as crianças e o ovo de páscoa!

Na minha infância e adolescência tive a oportunidade de conviver muito com as crianças. Tive muitos sobrinhos, então acompanhar a correria foi algo bem rotineiro pra mim. Já na vida adulta meu contato com crianças foi a praticamente zero, profissionalmente nunca trabalhei com crianças, e na minha vida pessoal crianças não fizeram parte dos meus dias. Nunca cheguei a não gostar de crianças, mas até uns 2 anos atrás às considerava um tipo de seres incompletos, sem muito potencial, cheios de empecilhos que não permitiam uma relação entre eu e eles.

Desde o final do ano passado recebi a oportunidade de desenvolver alguns trabalhos com crianças em um dia da minha semana. Não posso te dizer que  no inicio senti um frio na barriga, na verdade senti sim, e sinto ainda hoje. Cada vez que chego para trabalhar e aquele monte de crianças vem me abraçar, beijar, pedir isso e aquilo, sinto um grande frio na barriga, respiro fundo e contemplo a grande responsabilidade que é estar diante destes pequenos, grandes meninos e meninas.  Esses seres completos! Cheios de histórias, potencial, de dores e alegrias. Crianças que inúmeras vezes tem que abrir mão de brincar, para cuidar dos irmãos, limpar a casa ou mesmo trabalhar.

É incrível o quanto tenho aprendido com as relações que vamos estabelecendo e o quando eles me impulsionam a melhorar. Livros sobre educação infantil começam a ganhar espaço na minha biblioteca, a minha pesquisa em livrarias, sebos e na internet agora incorporam a procura por materiais infantis que não sejam homofóbicos  racistas, sexistas. Tenho aprendido a usar cola quente e recortar EVA. Minha primeira gaveta da escrivaninha agora tem desenhos, cartinhas, rabiscos de "eu ti amo". Ontem em uma atividade conjunta entre adolescentes e crianças, cheguei em casa com alguns estralos nos meus ouvidos, de tantos gritinhos que ouvi a tarde inteira.

Fazer parte da vida dessas crianças tem sido sinônimo de superação. Ontem algumas crianças me pediram pra desejar um ovo de páscoa! Minha resposta inicial foi: Eu não sei desejar! E não desenhei. Mas com a insistência dos pedidos, resolvi desenhar alguma coisa, e rabisquei um ovo, depois um coelho e outro e outro.. E no fim, eu estava lá desenhando coelhos e ovos de Páscoa, coisa que sinceramente não me lembro de ter feito antes.  Eu achei meus ovos terríveis! Mas começaram sendo meus e foram coloridos, redesenhados, enfeitados e se tornaram deles e tiveram um grande significado. Estabelecemos uma continuidade, uma história, um processo e foi ótimo.

Pensar em processos educativos que façam sentido é fundamental quando pensamos também na educação das crianças. Educação para a autonomia, educação para os direitos humanos, também na infância. Eu não sou uma especialista em educação infantil, mas meus olhares enquanto educadora e militante devem estar atentos para as políticas voltadas para os pequenos. Como é a qualidade da educação formal e não formal oferecida na infância? Existem espaços onde as crianças podem experimentar os gêneros?

Precisamos incentivar a formação cidadã também na infância, precisamos divulgar as estratégias que trabalham questões como meio ambiente, cidadania, preconceitos com as crianças. Essas estratégias existem! Temos excelentes projetos educativos voltados para as crianças. Educação de qualidade, proteção.. Não é que eles merecem, é um direito! É direito humano  e por tanto também uma bandeira nossa.

Só tenho agradecer a estas crianças. Agradecer por me mostrarem que eu posso desenhar ovo de páscoa, posso ser menos ranzinza, posso me sujar toda com canetinha e nem ligar pra cola quente que foi parar no meu cabelo. Agradecer também por me mostrarem limites de paciência que até então eu desconhecia. hehe

quinta-feira, 28 de março de 2013

E agora, Maria?

Por Angela Pereira

Tiraram teu sono
Pegaram-te no útero
E te trouxeram à vida
Ah! Vida...
E agora, menina?
Vestiram-te de rosa...
Compraram-te boneca...
Puseram-te na roda...
Levaram-na à escola...
Amarraram-te laços...
E agora, mocinha?
Cantaram-te a beleza...
Estamparam-te sorrisos...
Esconderam-te as clarezas...
Ditaram-te as regras...
Rompeu-te o teu sangue...
E agora, mulher?
Não mais és menina...
Não mais és mocinha...
Não mais pulas corda...
Nem brincas de roda...
E agora, mulher?
Já tens profissão
Já sabes o que queres
Não é ilusão.
Já tens corpo e forma
O busto entorpece
O corpo enlouquece
A vida merece...E agora, mulher?
Vês mais que o óbvio
Não queres prisão
Não queres tormenta
Nem mais ilusão...
O que queres, então? 
“O que quero tem nome!
Nome próprio!”